Projeto de alunos da UFRN se transforma em uma empresa, utilizando ferramenta inovadora em favor da educação
Por Daniel Turíbio
Em 2006, um grupo de alunos dos cursos de pedagogia e ciências da computação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte desenvolveu um projeto que objetiva a inclusão digital de crianças através de uma metodologia inovadora chamada “robótica pedagógica”. A intenção é aprimorar o ensino e estimular a capacidade de aprendizado dos alunos com o uso de robôs construídos e programados pelos próprios pesquisadores, ou por qualquer pessoa interessada na área.
Segundo a coordenadora e gerente comercial da empresa Roboeduc, Akynara Aglaé, o NATA – Núcleo de Aplicação de Tecnologias Avançadas, criado para apoiar e conduzir empresas nascentes e considerado um programa de incubação de empresas na área de automação, reconheceu e declarou, em abril deste ano, a empresa institucionalmente, através de um documento assinado pela Pró-reitora de Pesquisa, Maria Bernadete Cordeiro.
“Nossa proposta pedagógica agrega uma nova solução de software, o sistema RoboEduc, a uma metodologia de ensino com oficinas, material didático, e kits de robótica”, acrescenta a coordenadora. O sistema RoboEduc é o principal propulsor do projeto e auxilia no processo da inclusão da robótica pedagógica. É um software projetado para atender às necessidades de alunos em diversas faixas etárias e níveis escolares. Com uma interface simples e intuitiva, o programa possibilita o ensino de robótica com uso de diferentes recursos de controle e programação para cada faixa de idade. “Desta forma, é possível que os alunos possam projetar o robô através da criação de modelos, bases, sensores e outros mecanismos. Após, é possível construir um protótipo, delegando um conjunto tarefas, controlando, ensinando e programando em cinco níveis diferentes de complexidade”, explica Akynara.
As tarefas são ministradas através de jogos educativos que proporcionam o aprendizado de conceitos complexos, comuns na área da robótica, como técnicas de programação. O usuário pode acessar o sistema de duas maneiras: como professor, que prepara o sistema para novos protótipos, e como aluno, que pode usar as peças desenvolvidas para montar qualquer robô.
Para que esse novo método de ensino possa surtir efeito, a empresa disponibiliza diversos recursos. O material didático é personalizado para professores e alunos, com o conteúdo e os exercícios referentes ao assunto de cada oficina. O empréstimo de kits de robótica para auxílio. Os cursos de capacitação docente, que visa familiarizar o professor com o sistema e orientá-lo sobre como elaborar suas próprias oficinas e a usar a robótica pedagógica de forma interdisciplinar. Foi criado também o curso de introdução a robótica, destinado a professores, monitores e demais interessados em conhecer os princípios da área.
Em 2008, o projeto deu início a estas atividades durante um período de seis meses, com os alunos e professores do Núcleo de Educação Infantil (NEI) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. “Nessas oficinas testamos satisfatoriamente o primeiro módulo do software RoboEduc e confirmamos a nossa metodologia aplicada a ele”, afirmou Akynara. Neste ano, a RoboEduc implantou paralelamente o Clube de Robótica, que teve início no mês setembro e durou três meses, finalizando suas atividades em novembro. Na ocasião, os participantes tiveram a oportunidade de ter contato com equipamentos robóticos, além de aprofundar seus conhecimentos sobre o tema por meio de aulas expositivas, vídeos e material didático. As oficinas foram divididas em três módulos: robótica e cotidiano, robótica e programação e competições robóticas. Tudo pensado de forma lúdica e atrativa, segundo a coordenadora, para não desmotivar e tornar o aprendizado mais fácil e instigante.
Durante a XV Cientec, realizada em outubro, a empresa montou um estande no intuito de divulgar e comercializar o projeto, além de oferecer dinâmicas e oficinas aos visitantes. Só no primeiro dia de exposição, a Roboeduc fechou parceria com oito empresas interessadas em adotar o Clube de Robótica.
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