Entrevista/ Professor Thomas F. C. Campos
Professor ao UFRN é pioneiro em estudo de medicina geológica no Brasil
Por Adailson Pereira e Dante Luiz Soares
Em uma sala pequena com ar-condicionado, uma estante com de minérios, rochas e pedras e outra com muitos livros, entrevistamos o professor doutor Thomas F.da. C. Campos. Geólogo e Professor da UFRN. Thomas tem uma linha de pesquisa em Radioatividade Natural e Saúde, com foco na ação do elemento químico radônio, e outra em fatores geológicos que controlam a radioatividade natural. Participa do Programa de Geologia Médica da Unesco e é membro da Associação Internacional de Geologia Médica desde 2005. Thomas também faz parte de um grupo de pesquisas geológicas no arquipélago de São Pedro e São Paulo, que fica a 900 km do litoral potiguar.
O que a geologia médica?
PROF. THOMAS: é um projeto internacional, que estuda a relação da saúde dos seres vivos, com a geologia. Esse estudo começou na UFRN em 2005, sendo batizado de Projeto Neoplasia, que significa câncer. Posso dizer que fui pioneiro no Brasil, em termos de geologia médica no estudo sistemático de radônio. Para isso tivemos que comprar equipamentos importados para fazer a medição do radônio. E no fim do ano passado o CNPq abriu um edital específico de geologia médica, atrelado a outros projetos já existentes.
Quem são os profissionais envolvidos nesse projeto?
Além de geólogos, temos etimologistas, médicos gerais, biólogos molecular, agentes ambientais e estatísticas.
Qual a sua atuação específica?
Em minha linha de pesquisa eu estudo o efeito da radiatividade natural nos seres vivos. Mais especificamente o gás radônio.
Que gás é esse?
É um gás natural, que vem da desintegração radiativa do urânio. Apesar de ser nocivo, não se deve fazer alarde, já que, diga-se de passagem, o homem só existe graças à radiação. Esse gás é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como cancerígeno.
De que maneira ocorre o contato mais freqüente entre o homem e esse gás?
È muito comum através da ingestão de águas de cacimbas. Pode ocorrer em mineração, como nas minas de Parelhas e Equador, no Seridó. O radônio é um gás, mas gera resíduos, e esse resíduos podem em contato com os seres vivos, causar câncer de pulmão.
O radônio tem alguma aplicação pratica na economia?
Não. O radônio, não tem nenhuma propriedade que possa ser aproveitada, como energia ou coisa assim. A única aplicação que poderia ser atribuída ao radônio seria, na construção de uma represa; pode se medir a quantidade de radônio que sai do solo e naquele local, que houver maior concentração do gás, ali muito provavelmente teria uma falha no solo que precisaria ser corrigida. Fora isso não se pode aproveitá-lo para nada já que é um gás cancerígeno.
Mas a aplicação prática da radiação pode ser benéfica?
Certamente, a radiação tem muitas aplicações práticas em vários campos, mas tem que se tomar cuidado, no passado muitos morreram em virtude do mal uso da radiação.
Professor, em relação ao seu outro projeto de pesquisa, do Arquipélago, como funciona?
Faço parte do programa Arquipélago há dez anos. São Pedro e São Paulo são as únicas ilhas que não são de origem vulcânica no Atlântico. São rochas do manto da terra que afloram na superfície. Existem teorias, mas ninguém sabe qual a verdadeira história de seu surgimento.
Existe alguma base nas ilhas?
Mantemos uma base na região com quatro ocupantes. São pesquisadores e foram levados pelo Projeto Arquipélago, que foi criado pelo governo federal. Esses ocupantes são civis.
O território do arquipélago é totalmente brasileiro?
Sim, e a partir do momento em que estabeleceu a habitabilidade da ilha, e que mostrou que o Brasil está lá, a comunidade internacional reconheceu e cedeu 200 milhas em volta das ilhas, acrescentando ao nosso limite territorial marítimo, ou como é chamado, nossa Amazônia azul, que em termos territorial já é maior que a Amazônia verde.
Em relação à exploração econômica nessa área, como fica?
Essa área é exclusiva do Brasil. Só quem pode explorar essa região somos nós. Temos aí uma zona pesqueira rica em cardumes de atum, cavala, e outros peixes de grande poder econômico.
Como funciona a fiscalização nessa área?
Não funciona. É comum na região passarem barcos pesqueiros de bandeira japonesa. É uma área muito grande. Um barco levaria três dias para chegar ao local e não monitoramos com avião, apenas uma vez ou outra.
Qual sua parte do estudo no arquipélago?
É entender a formação das rochas da ilha, que são rochas do manto. E para entender a nossa evolução como civilização precisamos entender o processo geológico de terra, assim como de meteoritos, até da lua e outros planetas. Isso acontece porque há essa necessidade para nosso desenvolvimento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário