terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Secretaria da SBPC chega a Natal na próxima quarta-feira

A Secretaria Executiva da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC - chega a Natal na próxima quarta-feira, nove de dezembro, com a missão de organizar a 62ª Reunião Anual da SBPC que será realizada em julho na UFRN.

A comissão é integrada por Aldo Malavasi, Rute Andrade (Coordenação Geral), Fernanda Albuquerque (Coordenação de Eventos), José Roberto (Assessoria de Imprensa) e vem ao Estado para tratar da reunião regional, que acontecerá em Mossoró, e da reunião anual, que acontecerá em Natal.

Na sexta-feira, dia 11, chegam os professores Marcos Antônio Raupp e Helena B. Narder, presidente e vice-presidente da entidade que, junto com o reitor Ivonildo Rêgo, estarão fazendo o lançamento oficial do evento e a premiação dos ganhadores do Concurso do Cartaz.

Em Natal, a coordenação da 62ª Reunião Anual da SBPC está a cargo do professor Felipe Trindade, e a secretaria do evento está funcionando em sede definitiva, localizada no Prédio do Relógio do Sol (ao lado do Centro de Convivência.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Robótica como aliada no ensino infantil

Projeto de alunos da UFRN se transforma em uma empresa, utilizando ferramenta inovadora em favor da educação

Por Daniel Turíbio

Em 2006, um grupo de alunos dos cursos de pedagogia e ciências da computação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte desenvolveu um projeto que objetiva a inclusão digital de crianças através de uma metodologia inovadora chamada “robótica pedagógica”. A intenção é aprimorar o ensino e estimular a capacidade de aprendizado dos alunos com o uso de robôs construídos e programados pelos próprios pesquisadores, ou por qualquer pessoa interessada na área.

Segundo a coordenadora e gerente comercial da empresa Roboeduc, Akynara Aglaé, o NATA – Núcleo de Aplicação de Tecnologias Avançadas, criado para apoiar e conduzir empresas nascentes e considerado um programa de incubação de empresas na área de automação, reconheceu e declarou, em abril deste ano, a empresa institucionalmente, através de um documento assinado pela Pró-reitora de Pesquisa, Maria Bernadete Cordeiro.

“Nossa proposta pedagógica agrega uma nova solução de software, o sistema RoboEduc, a uma metodologia de ensino com oficinas, material didático, e kits de robótica”, acrescenta a coordenadora. O sistema RoboEduc é o principal propulsor do projeto e auxilia no processo da inclusão da robótica pedagógica. É um software projetado para atender às necessidades de alunos em diversas faixas etárias e níveis escolares. Com uma interface simples e intuitiva, o programa possibilita o ensino de robótica com uso de diferentes recursos de controle e programação para cada faixa de idade. “Desta forma, é possível que os alunos possam projetar o robô através da criação de modelos, bases, sensores e outros mecanismos. Após, é possível construir um protótipo, delegando um conjunto tarefas, controlando, ensinando e programando em cinco níveis diferentes de complexidade”, explica Akynara.

As tarefas são ministradas através de jogos educativos que proporcionam o aprendizado de conceitos complexos, comuns na área da robótica, como técnicas de programação. O usuário pode acessar o sistema de duas maneiras: como professor, que prepara o sistema para novos protótipos, e como aluno, que pode usar as peças desenvolvidas para montar qualquer robô.

Para que esse novo método de ensino possa surtir efeito, a empresa disponibiliza diversos recursos. O material didático é personalizado para professores e alunos, com o conteúdo e os exercícios referentes ao assunto de cada oficina. O empréstimo de kits de robótica para auxílio. Os cursos de capacitação docente, que visa familiarizar o professor com o sistema e orientá-lo sobre como elaborar suas próprias oficinas e a usar a robótica pedagógica de forma interdisciplinar. Foi criado também o curso de introdução a robótica, destinado a professores, monitores e demais interessados em conhecer os princípios da área.

Em 2008, o projeto deu início a estas atividades durante um período de seis meses, com os alunos e professores do Núcleo de Educação Infantil (NEI) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. “Nessas oficinas testamos satisfatoriamente o primeiro módulo do software RoboEduc e confirmamos a nossa metodologia aplicada a ele”, afirmou Akynara. Neste ano, a RoboEduc implantou paralelamente o Clube de Robótica, que teve início no mês setembro e durou três meses, finalizando suas atividades em novembro. Na ocasião, os participantes tiveram a oportunidade de ter contato com equipamentos robóticos, além de aprofundar seus conhecimentos sobre o tema por meio de aulas expositivas, vídeos e material didático. As oficinas foram divididas em três módulos: robótica e cotidiano, robótica e programação e competições robóticas. Tudo pensado de forma lúdica e atrativa, segundo a coordenadora, para não desmotivar e tornar o aprendizado mais fácil e instigante.


Durante a XV Cientec, realizada em outubro, a empresa montou um estande no intuito de divulgar e comercializar o projeto, além de oferecer dinâmicas e oficinas aos visitantes. Só no primeiro dia de exposição, a Roboeduc fechou parceria com oito empresas interessadas em adotar o Clube de Robótica.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Entrevista/ Professor Thomas F. C. Campos

Geólogo explica pesquisas no litoral do RN

Professor ao UFRN é pioneiro em estudo de medicina geológica no Brasil

Por Adailson Pereira e Dante Luiz Soares

Em uma sala pequena com ar-condicionado, uma estante com de minérios, rochas e pedras e outra com muitos livros, entrevistamos o professor doutor Thomas F.da. C. Campos. Geólogo e Professor da UFRN. Thomas tem uma linha de pesquisa em Radioatividade Natural e Saúde, com foco na ação do elemento químico radônio, e outra em fatores geológicos que controlam a radioatividade natural. Participa do Programa de Geologia Médica da Unesco e é membro da Associação Internacional de Geologia Médica desde 2005. Thomas também faz parte de um grupo de pesquisas geológicas no arquipélago de São Pedro e São Paulo, que fica a 900 km do litoral potiguar.

O que a geologia médica?

PROF. THOMAS: é um projeto internacional, que estuda a relação da saúde dos seres vivos, com a geologia. Esse estudo começou na UFRN em 2005, sendo batizado de Projeto Neoplasia, que significa câncer. Posso dizer que fui pioneiro no Brasil, em termos de geologia médica no estudo sistemático de radônio. Para isso tivemos que comprar equipamentos importados para fazer a medição do radônio. E no fim do ano passado o CNPq abriu um edital específico de geologia médica, atrelado a outros projetos já existentes.

Quem são os profissionais envolvidos nesse projeto?

Além de geólogos, temos etimologistas, médicos gerais, biólogos molecular, agentes ambientais e estatísticas.

Qual a sua atuação específica?

Em minha linha de pesquisa eu estudo o efeito da radiatividade natural nos seres vivos. Mais especificamente o gás radônio.

Que gás é esse?

É um gás natural, que vem da desintegração radiativa do urânio. Apesar de ser nocivo, não se deve fazer alarde, já que, diga-se de passagem, o homem só existe graças à radiação. Esse gás é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como cancerígeno.

De que maneira ocorre o contato mais freqüente entre o homem e esse gás?

È muito comum através da ingestão de águas de cacimbas. Pode ocorrer em mineração, como nas minas de Parelhas e Equador, no Seridó. O radônio é um gás, mas gera resíduos, e esse resíduos podem em contato com os seres vivos, causar câncer de pulmão.

O radônio tem alguma aplicação pratica na economia?

Não. O radônio, não tem nenhuma propriedade que possa ser aproveitada, como energia ou coisa assim. A única aplicação que poderia ser atribuída ao radônio seria, na construção de uma represa; pode se medir a quantidade de radônio que sai do solo e naquele local, que houver maior concentração do gás, ali muito provavelmente teria uma falha no solo que precisaria ser corrigida. Fora isso não se pode aproveitá-lo para nada já que é um gás cancerígeno.

Mas a aplicação prática da radiação pode ser benéfica?

Certamente, a radiação tem muitas aplicações práticas em vários campos, mas tem que se tomar cuidado, no passado muitos morreram em virtude do mal uso da radiação.

Professor, em relação ao seu outro projeto de pesquisa, do Arquipélago, como funciona?

Faço parte do programa Arquipélago há dez anos. São Pedro e São Paulo são as únicas ilhas que não são de origem vulcânica no Atlântico. São rochas do manto da terra que afloram na superfície. Existem teorias, mas ninguém sabe qual a verdadeira história de seu surgimento.

Existe alguma base nas ilhas?

Mantemos uma base na região com quatro ocupantes. São pesquisadores e foram levados pelo Projeto Arquipélago, que foi criado pelo governo federal. Esses ocupantes são civis.

O território do arquipélago é totalmente brasileiro?

Sim, e a partir do momento em que estabeleceu a habitabilidade da ilha, e que mostrou que o Brasil está lá, a comunidade internacional reconheceu e cedeu 200 milhas em volta das ilhas, acrescentando ao nosso limite territorial marítimo, ou como é chamado, nossa Amazônia azul, que em termos territorial já é maior que a Amazônia verde.

Em relação à exploração econômica nessa área, como fica?

Essa área é exclusiva do Brasil. Só quem pode explorar essa região somos nós. Temos aí uma zona pesqueira rica em cardumes de atum, cavala, e outros peixes de grande poder econômico.

Como funciona a fiscalização nessa área?

Não funciona. É comum na região passarem barcos pesqueiros de bandeira japonesa. É uma área muito grande. Um barco levaria três dias para chegar ao local e não monitoramos com avião, apenas uma vez ou outra.

Qual sua parte do estudo no arquipélago?

É entender a formação das rochas da ilha, que são rochas do manto. E para entender a nossa evolução como civilização precisamos entender o processo geológico de terra, assim como de meteoritos, até da lua e outros planetas. Isso acontece porque há essa necessidade para nosso desenvolvimento.